5 de março de 2012

AG em uma imagem


Quem acompanha esse Blog soube com antecedência do "recuo tático" da Andrade Gutierrez que desde 28 de Outubro de 2011 já falava publicamente que buscaria investidores, pois só garantiria 20% do negócio.

20% que corresponde ao aporte do Inter com obras prontas e com os milhões do histórico Eucaliptos.

20% que corresponde também àquilo que a Andrade Gutierrez receberá da SPE constituida por eles para executar as obras. Entenderam?

Mas tentaram culpar o Banrisul, criaram uma celeuma política, mexeram no vespeiro e agora terão que abraçar 100% da SPE, a "AG Empreendimentos" condômina de metade do Beira-Rio e da qual o Inter não terá participação.

Mas o fato é que os 6 saudosos leitores desse Blog já sabiam quem era o homem por trás de tudo isso. Clique aqui para ler "O Negociador Gremista", que já integrou o Movimento Grêmio Menino Deus (aqui).

Vergonha é um dever para quem preserva um pouco de dignidade.

Foto de Diego Guichard/ZH

2 de março de 2012

Semana Tensa

Independentemente do desfecho que esse imbróglio causado pela incompreensão do negócio que vem sendo desenvolvido entre Inter e Andrade Gutierrez, é fundamental fazer um correto diagnóstico dos erros.

O fato é que antes de ser aprovado no Conselho Deliberativo, a Andrade Gutierrez já havia publicado nota oficial afirmando que se responsabilizaria por apenas 20% do negócio, conforme relatei aqui no Blog. Isso foi em 28 de Outubro, 47 dias antes da reunião do Conselho que aprovou o contrato.

Todos lembram a demora que já havia para a AG apresentar a versão final da minuta do contrato (aqui). Já estava refugando.

Antes mesmo da finalização e disponibilização da minuta do Contrato, ele já estava contava com ampla maioria para aprovação, o que também relatei aqui no Blog. O problema é que não houve análise criteriosa do negócio, tanto por parte da Diretoria, como por parte do Conselho. Não se avaliou riscos e o potencial de todas as receitas que estavam sendo negociadas.

E mais, na própria minuta a AG previa a possibilidade de rompimento sem ônus, caso não conseguisse aprovar os financiamentos ou os investidores, portanto tudo que está acontecendo era previsível para quem se dava o benefício da dúvida ao invés de atirar-se em suas paixões políticas.


Devemos polarizar autofinanciamento e parceria? Não.


O problema nunca foi o "autofinanciamento" ou a "parceria", mas o autofinanciamento ou a parceria mau feitos, sem o devido planejamento e respaldo técnico científico. Não há motivo para descartar um ou outro como o "modelo Píffero" ou o "modelo Luigi". Tanto um, quanto outro, precisam de debate desligado de paixões políticas e HUMILDADE para contratar o assessoramento técnico de profissionais especialistas no NEGÓCIO Estádio de Futebol.

Quem pararia a obra com dinheiro em caixa?

Um erro lamentável foi parar a obra que estava em andamento, ainda com dinheiro em caixa. A arquibancada parada prejudicou todo sentimento da opinião pública nacional e atrasou totalmente o cronograma. O contrato em andamento para fazer toda a inferior (sem os acabamentos) era no valor de 7,8 milhões, sendo que o Inter possui todo o dinheiro do Eucaliptos parado.

Vale a pena fechar o Beira-Rio?

Com todos os entraves que estão ocorrendo, muitos ainda querem a assinatura do contrato. Ao  invés de concentrar nossos esforços para garantir os investimentos viários no entorno do Beira-Rio, o que é uma necessidade para a cidade de Porto Alegre, a Diretoria tem tendado fazer pressões políticas, envolvendo a Presidente da República e o Governador, seja para forçar a empresa mineira a comprometer-se com 100% da SPE, seja para tentar flexibilizar o Banrisul de forma 'não-republicana'.

Ocorre que, mesmo com a assinatura, já se fala que o único meio de executar as obras de copa em tempo seria fechando o Beira-Rio por largos períodos, o que resultaria em mais prejuízo para o Inter pois teria uma perda considerável no quadro social, além de desvantagens desportivas já sentidas por Cruzeiro e Atlético-MG jogando longe do Mineirão.

Recomeçar com tranquilidade

Enfim, após o esclarecimento de tantas questões e, se a Copa efetivamente não for no Beira-Rio, será uma oportunidade de desenvolver um negócio com calma e todas as avaliações possíveis, inclusive de fazer um estádio novo.

26 de fevereiro de 2012

Praticamente Pronto

Convivemos durante muitos anos com declarações de que o Beira-Rio estava praticamente pronto ou 95% pronto ou ainda que existiam obras obrigatórias e obras elegíveis. Sendo que a Cobertura era elegível. Incrível que a mídia ainda dê espaço para quem ficou 4 anos responsável por esse projeto e, em sua arrogância, não foi capaz de ouvir as críticas e criar uma base política e financeira sólida.

O resultado foi que o projeto foi mudado por antigos parceiros políticos que estavam naquela gestão, mas oportunamente, nada falavam, com os devaneios insustentáveis de Copa do Mundo. Não é novidade para ninguém que todos os atuais situacionistas, integravam a Gestão Píffero e calaram em relação ao Projeto.

Muitos deles, não apenas calavam, como vaiavam a oposição, quando esta apresentava críticas e questionamentos absolutamente pertinentes.

Esta trapalhada patrimonial histórica é emblemática de como o Inter têm para avançar e amadurecer na esfera administrativa, profissionalizando a gestão e executando projetos em bases institucionais estruturadas.

Culpa de Quem? Do Banrisul?

Agora a Andrade Gutierrez não assina o Contrato com Inter e tenta colocar a culpa no Banrisul. Tentando responsabilizar o Banco que foi parceiro do Inter nas horas ruins e nas horas boas, como um efetivo PARCEIRO. Isso é inaceitável.

Não assina por quer largar o negócio?

O que o torcedor não sabe é que o contrato aprovado no Conselho ainda dá para a Andrade Gutierrez 120 dias para desistir do negócio (sem qualquer ônus).

O que nos leva a dois pontos. O primeiro é que, sim, a Andrade Gutierrez não deve ter expectativa de resolver os problemas em 4 meses. Por isso não assina.

Segundo, se a empresa mineira for desistir do negócio, assinará o contrato antes, pois caso apenas desista do negócio, poderão responder um sério processo de responsabilidade civil, exceto se assinarem o contrato, o que lhes dará direito de desistência sem ônus.

Transparência e Sinceridade

Desde 2007 nosso problema em relação a reforma do Beira-Rio é falta de transparência. Ora da Diretoria, agora da "parceira".

19 de fevereiro de 2012

Motivos para reprovação

Na reunião de 14 de Dezembro de 2011 o Conselho Deliberativo do Internacional aprovou por ampla maioria a assinatura do contrato de concessão do Beira-Rio para a Sociedade que será formada pela Andrade Gutierrez por 20 anos. Tendo votado pela "não" assinatura, por acreditar que este contrato não atende aos interesses do Inter, vou registrar aqui alguns fundamentos da minha opinião.

Viramos o fio. Perdemos - e erramos - o foco.

A reforma de um estádio de futebol não é um fim em si mesmo, mas um meio de gerar receitas. E é disso que estamos falando: receitas.

Os clubes de ponta na Europa têm, em média, um terço de seu faturamento decorrente de receitas provenientes de "match day", conforme a análise anual da empresa de auditoria Deloitte chamado "Football Money League" (o que pode ser visto aqui e aqui). "Match Day" é o gênero das receitas oriundas do estádio, entre bilheteria, publicidade, estacionamento, lojas, etc.

Ao fazer esta concessão do Beira-Rio, por falta de conhecimento a respeito do negócio, o Inter entregou grandes possibilidades de diversificação e desenvolvimento dessas receitas que poderiam ser grandes diferenciais para as finanças do Clube que resultam na capacidade, ou não, de contratar e manter atletas de ponta.

Ao invés de investir no estádio para gerar e diversificar receitas, entregamos o estádio para que um terceiro o faça. Em resumo: abrimos mão do negócio-estádio-de-futebol.

Concorrência do centro do país

Ao falarmos de fontes de receita temos que ter em mente que desenvolvê-las faz parte de um corrida entre diversos clubes concorrentes. Não podemos pensar que todos os Clubes do Brasil ficarão estagnados pelos próximos 20 anos, aqueles que conseguem ser pioneiros no desenvolvimento de determinados mercados, adquirem grande vantagem em relação a todos os demais. O próprio Inter é um ótimo exemplo disso com seu plano de associação.

Em 2011 com o desmantelamento do Clube dos 13, a concentração midiática e consolidação do domínio da TV Globo sobre o Futebol, garantiu a clubes como Corinthians e Flamengo uma vantagem de milhões de reais anuais em relação a seus concorrentes de fora do Eixo Rio-São Paulo.

Claro que isso não garante, por si só, os títulos e o domínio do futebol brasileiro, mas influencia consideravelmente. Basta ver o domínio dos clubes de Rio e São Paulo nos campeonatos nacionais.

Um Clube que já possui essa ameaça geográfica e econômica, não pode se dar ao luxo de ignorar seu estádio enquanto fonte de receita, muito menos, por uma motivação trivial como sediar uma Copa do Mundo.

Receitas são dinâmicas e não podem ser subestimadas.

Ao desenvolver a associação em massa de seus torcedores, chegando aos atuais mais de 100 mil sócios, o Inter garantiu uma década de fartura dentro de campo. Tal exemplo nos ajuda a fazer um exercício. Vamos supor que em 2002 fossemos avaliar o valor das receitas "mensalidades". Lucrávamos R$ 500 mil por ano com essa fonte. Se, mal informados de seu potencial, fossemos negociar a concessão dessa fonte por 20 anos, partiríamos do valor de R$ 10 milhões (20 anos x 500 mil). Se alguém oferecesse R$ 20 milhões antecipados é provável que nos atiraríamos. Mas não cometemos esse erro. Desenvolvemos o plano de sócios e hoje faturamos com os associados mais de R$ 30 milhões por ano.

Alguns clubes cometeram erro muito parecido em outra fonte de receita. A bastam três letras emblemáticas para lembrar: ISL. Na época o negócio era concessão do direito de exploração da marca e imagem em troca de investimento em jogadores. Alguns clubes concederam seus direitos de televisionamento e exploração da marca; outros, apenas uma dessas fontes de receitas. Em troca, recebiam grandes investimentos no futebol.

Na época, era a salvação do futebol brasileiro. Os clubes que não fechassem com algum "parceiro" estariam quebrados e perderiam a oportunidade. Enquanto isso, o Inter baseou-se em um estudo da Fundação Getúlio Vargas, feito em 2000, e não entrou nessa jogada. Na contra-mão do momento (não da história) investiu nas categorias de base: estruturou-se, ao invés, de entregar-se.

Modelo de Negócios Alheio

Um pressuposto básico de qualquer negociação é conhecimento. Como negociar a concessão de espaços e receitas que tu não conhece? É isso que acontece quando uma pessoa mal informada entra numa concessionária e entrega seu carro de garagem pela metade do seu preço de mercado.

Pois foi assim que o Inter negociou as fontes de receita que está concedendo para a Andrade Gutierrez. O grupo AG apresentou um modelo de negócios e o Inter apenas aceitou. Negociou pequenos detalhes, sem que tenha sido assessorado por especialistas independentes com conhecimento do negócio-estádio-de-futebol.

As dificuldades de negociação foram admitidas pelos advogados contratados pelo Clube para desenvolver a minuta do contrato, uma vez que enquanto que a AG estava com "a faca e o queijo na mão", o Inter suportava todas as pressões pelos prazos da Copa do Mundo.

A nefasta pressão da Copa do Mundo

Durante todo o processo que envolveu a reforma do Beira-Rio o Clube era acompanhado da pressão do "descredenciamento da Copa do Mundo". Pela forma amadora e atécnica que o processo foi conduzido, sempre havia o risco de "perder a Copa para o Grêmio". E esse era o argumento de quem pretendia a aprovação imediata, sem debate, sem argumentação, sem comprovação de viabilidade econômica.

Este estigma custou caro. Pois a falta de viabilidade econômica do modelo de auto-financiamento só veio a tona após a sucessão do Presidente Vitório Píffero. Uma vez que não tinha sustentação política e técnica em seu aspecto financeiro foi rapidamente derrubado.

A cada movimentação em relação ao projeto e a negociação da parceria, a pressa foi determinante. A tal ponto de, em determinado momento, a questão da Copa do Mundo passou a ganhar maior destaque, atenção e dedicação do que a geração de receitas com o estádio pelos próximos 20 anos.

Desde então a Copa do Mundo deixou de ser uma oportunidade e passou a ser uma ameaça ao Inter, pois o impediu de construir de forma técnica e independente a melhor destinação para a Copa do Mundo. Tanto é que vários Conselheiros, mesmo votando a favor do contrato, manifestaram ser "infelizmente, o melhor que temos para o momento". Ficando, assim, evidente que, caso não fosse o medo de "perder a Copa do Mundo", poderíamos desenvolver um negócio bem mais interessante para as finanças do nosso Clube e para o orgulho da nossa torcida.

Prioridade. Copa ou a geração de receitas para nosso Clube?

Em abril de 2010 o Conselho Deliberativo aprovou a antecipação de receitas com o aluguel de novos camarotes, no que ficou conhecido como o "autofinanciamento", porque a FIFA exigia "garantias". No final de 2010, o Presidente Vitório Píffero com autorização do Presidente Eleito Giovanni Luigi, mandou demolir a arquibancada inferior do Beira-Rio sob o risco de atrasar as obras e perder os prazos da Copa. Por fim, em Dezembro de 2012, a autorização para assinatura do Contrato foi aprovada no Conselho e já se passaram 2 meses e nada de começo das obras, o que nos leva a concluir que as pressões e "prazos da Copa" só serviram para cercear o debate público e político. E fazer o próprio Clube colocar a geração de receitas com seu estádio em segundo plano.

Estádio é um negócio e negócio exige boa gestão

Não existem milagres. Para gerar receitas com qualquer empreendimento é necessário um dose de boa gestão. Podemos construir um Allianz Arena em Porto Alegre, mas continuará deficiente e deficitário se continuar a ser administrado da forma atécnica e amadora tal como o Inter administra o Beira-Rio nos últimos anos. E foi dessa forma que o Clube conduziu a reforma do Estádio. Haviam profissionais de engenharia e arquitetura envolvidos, mas um estádio é muito mais do que isso.

Segundo o consultor em gestão de arenas Romulo Macedo, "A maneira profissional como os estádios são administrados na Europa é que faz toda a diferença. Um estádio é uma unidade de negócios idependente e precisa ser gerida como tal. São necessários profissionais especializados que pensem única e exclusivamente o estádio em sí, buscando sempre meios de melhorar a experiência do consumidor, formas de maximizar os lucros, etc. Se administrado de forma eficiente um estádio é capaz de gerar grandes receitas para os clubes proprietários".

Na avaliação do modelo de negócios proposto pela Andrade Gutierrez o Inter deu pouca ou baixíssima atenção ao modelo de gestão do Estádio, transformando o Beira-Rio em um Condomínio do qual o síndico será o Poder Judiciário.

Uma visão de futuro

Evidentemente que o Beira-Rio pós-reforma ficará melhor que o Beira-Rio em seu estado atual, qualquer comparação nesse sentido é inútil. É como comparar o Beira-Rio, em seu estágio atual, com o Eucaliptos. Nos próximos anos, nosso estádio estará concorrendo com diversas construções modernas, sejam elas construídas para a Copa ou após a Copa.

Se entregamos fontes de receitas que hoje são inexpressivas por falta de profissionalismo e as entregamos para um terceiro que não nos dará qualquer participação nos lucros, temos que exigir (conselheiros, sócios e torcedores) maior profissionalismo para desenvolver as receitas que nos restam. Uso como exemplo o sector rigths. Não precisamos de nenhum empreendimento para comercializar o nome da arquibancada superior para "Setor Coca-Cola", mas como não tivemos institucionalmente a capacidade para tal iniciativa, perpetuamos essa incompetência por 20 anos, entregando para um terceiro.

Nos debates da reunião de 14 de Dezembro, a grande maioria das intervenções concordava que com mais tempo, poderíamos desenvolver um negócio melhor para o Clube. A diferença foi o foco. E a maioria preferiu sediar a Copa ao invés de explorar o potencial do Beira-Rio para gerar receitas para nosso Clube. Receitas tão importante para contratarmos e mantermos grandes jogadores nos próximos anos.

27 de novembro de 2011

Aprovar sem ler

Notícias dão conta de que o contrato de concessão do Beira-Rio por 20 anos para investidores ainda desconhecidos estaria sendo encaminhado nessa semana iniciada em 28/11/2011.

Cabe o registro de que o apoio ao contrato já tem respaldo da maioria do Conselho Deliberativo. Fala-se em 260 conselheiros, de mais de 340. Número duvidoso, mas representativo.

A gestão e operação de estádios de futebol representa hoje cerca de um terço do faturamento dos grandes clubes europeus (veja aqui). O Inter está colocando a geração de receitas em segundo plano, priorizando a realização da obra como se ela fosse um fim em si mesmo. E não é.

A modernização de estádios é um meio para gerar receitas. Geração de receitas que será prejudicada.

Carro novo e me devendo? Casa nova e me devendo.

A dependência atual da venda de atletas para sustentar o Clube, perpetuar-se-á. Por 20 anos.

Mas com uma casa nova! Dificilmente melhor que a nova Arena, um novo paradigma.

Estou à procura de argumentos racionais em favor de tal contrato. Será uma honra mudar de opinião. Mas até aqui são só achismos e emotivismos. Nada a ver com o que idealizo para meu Clube, que as questões de longo prazo sejam discutidas à exaustão e com o máximo de cientificismo possível.

Talvez em 2034.

6 de novembro de 2011

O velho problema: financiamento

O modelo de autofinanciamento conduzido na Gestão Vitório Píffero 2007/2010 baseava-se em aluguel antecipado de camarotes e cadeiras VIPs para reformulação do Beira-Rio.

O grande problema desse modelo é que jamais foi apresentado um modelo de negócio com projeto financeiro e estudo de mercado comprovando a viabilidade desse negócio.

Fizeram diversas projeções e o final amarelo só acendeu quando viram que a velocidade das vendas, não seria suficiente para concluir o projeto para a Copa (sempre ela pautando o Clube).

Quando a FIFA pediu uma avalizador (caso o clube não conseguisse dinheiro em tempo), o Clube foi atrás e não convenceu ninguém.

Era um problema de fluxo de caixa daquele modelo de financiamento.

Ou seja, poderia ser viável, mas não em tempo para a Copa.

Passam as eleições, e finalmente o problema é apresentado para o Conselho.

Mas teria uma alternativa: a Andrade Gutierrez!

Bastava assinar e estaria resolvido. A poderosa e bilionária faria todo o investimento em tempo para a Copa.

É com essas premissas em mente que me surpreendi com a nota da AG dizendo que investiria apenas 20% do total.

Um ano depois a AG está enfrentando os mesmos problemas que seriam solucionados com a parceria com a AG: a busca por investidores.

Se fosse para isso, que seguisse o autofinanciamento, sem comprometer o patrimônio do Clube por 20  anos.

5 de novembro de 2011

O negociador gremista


Reportagem de ZH desse domingo sobre o grupo Andrade Gutierrez é curiosa. Enviaram jornalista para BH, mas tudo que obtiveram foi um comunicado por e-mail.

Estão atrás de investidores...

Como observamos no post abaixo, a Andrade Gutierrez não investirá sozinha. Pretende achar parceiros para o empreendimento. Ora, a toda poderosa e bilionária não tem esses milhõezinhos em caixa?

Além disso, a reportagem informa que o negociador Leonardo Salvaterra Treiguer é gremista.

Óbvio. Todo gaúcho é uma coisa ou outra.

Mas, além disso, em pesquisa pelos meandros do Google, descobre-se que o parceiro já fez parte até de movimento  político do Grêmio, o Grêmio Menino Deus (veja).

São 20 anos do Clube em jogo.

E a prioridade é a Copa do Mundo? Claro, se o cara for gremista.

30 de outubro de 2011

Quem é o parceiro?

Em nota divulgada dia 28/10 a AG informa que será responsável por 20% dos investimentos. Para o resto está buscando sócios.Sócios da SPE (Sóciedade de Propósito Específico) que será a concessionária de diversos setores do Beira-Rio por 20 anos. A construtora mineira terá uma participação minoritária na SPE que será de investidores "confidenciais" e ainda desconhecidos.

Além disso, toda a pressa e pressão que por vezes aparecem na mídia para a assinatura imediata desse contrato é fantasiosa (como se o Inter tivesse que priorizar a Copa e não o seu próprio futuro). Fantasiosa porque mesmo assinando o contrato, a construtura ainda estará buscando investidores...
Ainda que alguns colorados estejam preocupados com a Copa, a assinatura do contrato, pelo visto, sequer garante a Copa.

Confira na íntegra a nota da construtora

A Construtora Andrade Gutierrez foi selecionada pelo S. C. Internacional em julho último, após deliberações internas da agremiação, como sua opção preferencial de parceria para obras de preparação do Estádio José Pinheiro Borda (Gigante da Beira-Rio) para a Copa do Mundo de 2014.


Os entendimentos seguintes a essa decisão deram ensejo à elaboração conjunta da minuta do contrato que definirá as bases da parceria que perdurará pelos próximos 20 anos. O documento, que começou a tramitar em agosto, está em fase avançada de negociação. Pela dimensão e escopo da parceria, o prazo das tratativas está dentro de parâmetros considerados normais.


Para viabilizar o projeto de reforma, a proposta apresentada pela Andrade Gutierrez prevê a constituição de uma Sociedade de Propósito Específico (SPE) visando a captação de recursos para a obra. A Construtora, que por esse modelo vai arcar com 20% dos investimentos, está em tratativas avançadas com potenciais sócios investidores, cujos nomes serão mantidos em sigilo em função da confidencialidade exigida durante as negociações.


A empresa confia que, uma vez formalizada a parceria, sua expertise e seu conhecimento técnico permitirão o desenvolvimento de um projeto digno dos anseios do S.C. Internacional, da torcida colorada e do povo rio-grandense. Porto Alegre, 28 de outubro de 2011


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(Comentário: não existe Estádio José Pinheiro Borda, esse nome nunca foi estabelecido oficialmente pelo Clube)

27 de outubro de 2011

Reforma do Beira-Rio III - Falsos Avanços...

...Na luta contra o amadorismo e o achismo

Qualquer meio dirigente de futebol propaga "profissionalização", "estrutura" e "planejamento". Palavras da moda, mas que caem no abismo que separa o discurso da prática. Nada mais desgastante do que ver significativos avanços próximos de serem aplicados, mas que acabam pelo caminho. Infelizmente, fiquei com esse sentimento em relação ao rompimento com a cultura do achismo que vinha imperando na reforma do Beira-Rio.

Quando foi discutido no Conselho a votação da parceria com uma construtora, ajudei a construir dentro do meu grupo, o Convergência Colorada, algumas ressalvas para o assunto em questão. Alguns pontos básicos que deveriam ser considerados para aprovação do modelo de parceria (project finance). Entre eles, estava (1) a necessidade de contratação de uma consultoria especializada de nível internacional, com experiência e conhecimento em gestão e rentabilização de estádios de futebol, e (2) a abertura de um período de concorrência, permitindo a participação de outras construtoras.

Imaginava-se o seguinte: especialistas, conhecedores de diversos modelos de financiamento e experientes nas diversas variáveis que envolvem a construção e reforma de um estádio, desenvolveriam um modelo econômico-financeiro próprio DO INTERNACIONAL. A partir disso, construtoras fariam o papel de construtoras e financiadores fariam papel de financiadores. Dentro de um negócio do melhor interesse do Internacional. Essa empresa especializada também ajudaria o clube no aspecto arquitetônico, pois poderiam agregar ao projeto todo o conhecimento de gestão e operação que fazem diversos estádios europeus terem média de ocupação acima de 90%, além de faturarem milhões para seus clubes a cada jogo. Também por acompanharem de perto os avanços técnicos debatidos no velho continente, não teriam medo, como o Inter tem, de serem surpreendidos com "novas exigências" da FIFA.

Seria fazer o óbvio. Assim como se busca o auxílio de um advogado para enfrentar um processo judicial, um contador para enfrentar o fisco ou um médico para enfrentar uma doença, o Internacional buscaria o respalto técnico e profissional de especialistas para acompanhar o projeto em seus aspectos arquitetônicos, administrativos, políticos e financeiro. Não queremos que nossos estádios sejam tão lucrativos, seguros, confortáveis, cheios e bem administrados como diversos exemplos europeus? Então não seria óbvio buscar a expertisse de profissionais com esse know-how? Manifestei-me no Conselho a respeito desse assunto. Usei palavras fortes. Lembrando aos meus pares que hoje somos um clube que separa a torcida com arame-farpado e que vende "pão-com-milho" para os torcedores. Temos que enquanto instituição, ter consciência do nosso nível de ignorância e com humildade e grandeza, buscarmos apoio de especialistas.

A proposta foi aceita! Me envolvi. Pessoalmente, me aproximei de representantes da Amsterdam Arena Advisory e os levei ao Beira-Rio. Passei contato de profissionais brasileiros que também poderiam auxiliar o Clube. Surgiu também a empresa Davis Langdon, o que chegou a repercutir na mídia.


Dizia a reportagem do Globoesporte.com: "O clube já começa a trabalhar em busca dos outros dois pontos do processo: primeiro, uma consultoria especializada em arenas – de acordo com o jornal “Zero Hora”, as opções são a inglesa Davis Langdon e a holandesa Amsterdan Arena; segundo, um escritório de advocacia separado do quadro jurídico do Inter. Esses três braços analisarão todos os pontos do projeto antes de ele ser aprovado".

Como se vê, o clube caminhava para um processo decisório respaldado na opinião de especialistas. Abriria-se concorrência para que as construturas tivessem que se responsabilizar pela engenharia e não pelo modelo de negócio que o clube assumirá pelos próximos 20 anos. Além daquelas empresas apresentadas, se houvesse a convicção na importância de o clube construir seu próprio modelo, poderia ter procurado diversas outras, entre elas, por exemplo, The Stadium Consultancy, Event & Venue Managemente Institute, Stadia Directory, European Stadium & Safety Management Association, ou Wembley-Stadium-Consultancy. Enfim, várias empresas, profissionais, institutos e associações que poderiam ajudar o Internacional a fazer um ótimo negócio pensando principalmente em seu futuro.

Eis que, em determinado momento, abriram mão da consultoria. Aquela humildade em relação a nossa competência de gestão do estádio ficou pelo caminho. Grande erro! Grande e lamentável erro. Da parte da Amsterdam Arena Advisory disseram que era caro, mas não negociaram. Ou não quiseram. Não acharam importante. Também não procuraram outra, ou outras.

Dessa forma, com informações meramente arquitetônicas que foi aberta a carta-convite para construtoras interessadas. Qual modelo de negócio? Era a construtora quem deveria apresentar, pois o Inter não tinha. Em poucos dias. Das 12 interessadas que buscaram informações, apenas a Construcap apresentou uma proposta, com a mesma base com que está fazendo no Mineirão. Lógico, as construtoras quando desenvolvem um projeto desses precisam de tempo, porque elas buscam o apoio de especialistas.

Então surge a Ernest & Young como a consultoria "especializada". Na verdade, ela já aparecia na proposta original como auditoria contábil... Seu trabalho foi o de apenas dar um parecer entre duas propostas sobreviventes, uma da Andrade Gutierrez e outra da Construcap. Claro que a da AG foi a melhor, já negociava há mais tempo. Direito que a Construcap não teve, nem a Engevix que desistiu no meio do processo. A contratação da consultoria, virou um feijão com arroz para cumprir tabela.


Particularmente, para mim, foi uma grande decepção. De todo o vasto conhecimento que existe pelo mundo em termos de gestão, operação e rentabilização de estádios, nada disso será considerado no momento de decidir uma parceria de 20 anos, assinada às pressas em decorrência da Copa do Mundo.

Em breve o Conselho Deliberativo votará uma das questões mais importantes dos últimos anos do Internacional e o nível de conhecimento é muito baixo. Existem comparações de projeções de rentabilidade futura com o Beira-Rio atual, que não deveria ser considerado como referência, dada sua condição gerencial atual "inexistente".

Estão negociando sobre um assunto que não dominamos e não temos sequer o respaldo de pessoas com o vasto conhecimento que existe no hemisfério norte sobre gestão e operação de arena, que lá é tratada com total profissionalismo.


O Internacional está tomando uma decisão achando que são válidos todos os sacrifícios para sediar a Copa do Mundo, achando que sem a salvadora Andrade Gutierrez jamais conseguirá reformar seu estádio, achando que o torcedor colorado está realmente mais preocupado com a grande humilhação de perder a "Copa do Mundo" e não com os próximos 20 anos do seu Clube. Assim como achavam que o Beira-Rio estava "praticamente pronto para a Copa", como achavam que venderiam 150 camarotes como quem vende latinhas de coca-cola no deserto.

É o império do achismo e das decisões emotivas. Como quem acha válido trocar espelhos por ouro.


Com todo o futuro do Internacional em jogo, devo mesmo me preocupar com a Copa do Mundo e tomar uma decisão dessas sem respaldo técnico?

12 de outubro de 2011

A Reforma do Beira-Rio II - Novos Paradigmas

Espionagem ou simples busca de informações em relação a um adversário ou mero concorrente, seja como for chamado, talvez o erro mais infantil cometido pela Diretoria do Internacional nos últimos anos tenha sido ignorar sistematicamente o projeto patrimonial gremista e o modelo desse projeto.

Pela importância da rivalidade Gre-Nal em relação, principalmente, ao ânimo da torcida, sempre é importante estar atento tanto nos mercados do Eixo (Rio-SP) quando no vizinho do bairro ao lado - isso no mínimo. Não se trata de promover espionagens ou grampos telefônicos ilegais, mas apenas buscar informações sobre o modelo e, no mínimo, conhecer informações que são de domínio público em relação ao projeto, inevitavelmente, concorrente.

Em slides públicos publicados no site do rival, percebe-se questões interessantes como a preocupação com o desenvolvimento viário e a mobilidade urbana no entorno da Arena e, principalmente, a existências de estudos especializados no desenvolvimento do Projeto, entre eles: Amsterdam Arena Advisory na questão entre construir e reformar, a apresentação de carta-convite que gerou duas propostas uma da OAS e outra da Odebretch, Azenha ou Humaitá, além de estudo da Fundação Getúlio Vargas sobre projeção de fluxo de caixa e Banco Santander sobre o modelo de financiamento.

Enquanto esse projeto era construído sobre bases sólidas, com debate público, participação do Conselho e chegando a um amadurecimento político suficiente para resistir a duas trocas de diretorias, no Beira-Rio preponderava a opinião de 4 ou 5 pessoas. Apesar de vir sendo gerido na Diretoria desde Maio de 2007, o Conselho Deliberativo do Clube só recebeu informações sólidas sobre o Projeto Gigante Para Sempre em Junho de 2010. Ocasião na qual se votou a autorização para antecipação de receitas oriundas dos alugueis de camarotes por 10 anos. (Detalhe: não houve autorização do Conselho para o início das obras, o que será abordado posteriormente).

Em 2009 no desenvolvimento de Planejamento Estratégico do Clube, o Projeto da Arena sequer foi considerado como uma simples "ameaça". Um dos motivos: a falta de consistência do solo do Humaitá imperidiria a construção. Uma sandisse. Primeiro que o próprio estádio Beira-Rio foi construído em um terreno doado dentro da água, segundo que a essas alturas o Projeto do Grêmio já era desenvolvido pela OAS, uma das maiores construtoras do País, sendo que apesar de representar algum custo adicional, uma dificuldade decorrente do solo não assusta engenheiros preparados para construir pontes.

Tantos achismos na condução dessa reforma durante esses 4 anos, ocasionou a necessidade de um plano de emergência, a Andrade Gutierrez e a adoção do mesmo modelo de negócios que o Grêmio adotou 4 anos antes, o "project finance" em parceria com uma construtora. Segundo a página do  BNDES, "Projeto financeiro ou financiamento relacionado a projeto: é uma forma de engenharia financeira suportada contratualmente pelo fluxo de caixa de um projeto, servindo como garantia os ativos e recebíveis desse mesmo projeto". Ativos e recebíveis são os lucros que os estádios terão depois de reformados. A diferença é que o Grêmio dividirá em porcentagens de um faturamento geral, sendo sócio da empresa, enquanto que o Internacional está negociando uma divisão de acordo com as fontes de receita, por exemplo, o que vem do setor X é do Inter, o que vem do setor Y é do Grupo AG, o que poderá gerar diversos conflitos de interesse no futuro.

Sempre acompanhei com seriedade o projeto gremista, por saber da importância dos projetos patrimoniais no desenvolvimento de vários clubes europeus. É claro que existem questionamentos, falhas e erros no projeto do bairro humaitá, mas o modelo é viável e sempre foi o mais realista. O custo dessa mudança de modelo de última hora é milionário, ainda mais quando é impossível postergar a conclusão da obra, pois o Internacional entrou nesse jogo de sediar Copa do Mundo sem estar preparado e sem buscar qualquer tipo de auxílio técnico de nível internacional para assessorá-lo.

É impossível não questionar os motivos desse erro grave de ignorar o modelo mais óbvio e usual para esse tipo de investimentos durante tanto tempo. Sequer houve desenvolvimento de uma possível parceria de investimento como um plano B. Enquanto se divulgava o Beira-Rio como "confirmado" para a Copa e vendiam camisetas dizendo "a Copa do Mundo é Nossa", insistiam em um modelo baseado exclusivamente na venda de áreas premium que era inviável para viabilizar a reforma nos prazos da Copa.

Perdemos muito tempo e agora estamos chantageados pelos prazos da Copa do Mundo. Parece que a Copa e os negócios da FIFA ganharam mais importância que o futuro do Internacional. Talvez o nebuloso e secreto contrato com a Andrade Gutierrez seja muito bom para o Inter, mas será votado às pressas e sem qualquer maturidade política tanto internamente quanto na opinião pública. Tudo isso, porque ou priorizam a Copa do Mundo, ou porque acreditam que sem a Copa não haveriam investidores - certamente ignorando, ainda, a construção que cresce às margens da Free-Way.